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MINHA HISTÓRIA COM MEUS LIVROS - CAPÍTULO 8 - AS BIOGRAFIAS





Sim, confesso que gosto de saber da vida dos outros. E quem não gosta? Quem não gosta de uma boa fofoca? Mas esses outros a que me refiro não são pessoas quaisquer. São pessoas famosas, que souberam usar seus talentos para servir às artes em geral (música, teatro, televisão, cinema, literatura), à ciência, à psicologia, à filosofia e outras matérias essenciais para a vida humana. Portanto, diria que aprecio uma boa fofoca intelectual, embora goste também de dar uma espiadinha em fofocas fúteis de pseudofamosos que nada acrescentam ao mundo para distrair a cabeça das coisas mais elevadas. 

Assim sendo, a biografia de Toquinho, a primeira que comprei foi por ocasião do aniversário do meu marido (que é músico e compositor), pouco depois que juntamos nossas escovas de dentes lá em 2012, mas quem acabou lendo fui eu. Acho que é um daquele tipo de presente que você dá para alguém que ama, mas na verdade dá para você mesma... Ou seja, o aniversário é apenas uma desculpa para comprar algo que você mesma deseja, disfarçando que é presente para o outro. Quem nunca?

Do lado direito, a biografia de Paulo Leminski, comprei depois de saber de algumas polêmicas e segredos sobre a vida do poeta curitibano revelados pelo próprio objeto desse segredo todo, o qual pelas mãos do destino acabou vindo parar em minha casa na época da pandemia para revisitar seu passado aqui na cidade. Tal "segredo", que agora já não é mais segredo está amplamente divulgado na internet na figura do filho mais velho não-reconhecido do poeta, Paulo Leminski Neto, cuja identidade e história de vida foi adulterada por meio de uma trama mal contada pelos pais e padrastos do rapaz, que segue incansável em busca de seus direitos depois de passar por poucas e boas. 

Depois dessas duas passei a comprar outras e mais outras. A última aquisição foi a biografia da saudosa e tresloucada Rita Lee em duas partes ainda em 2023, que por sinal só fui ler neste ano. Para quem gosta de ler como eu e já leu muito, mas muito nessa vida, a falta de tempo crônica tem sido um grande empecilho para continuar com meu hábito mais querido. 

Dos sei lá,  dez a vinte livros que costumava ler por ano, atualmente se consigo ler um ou dois já me dou por satisfeita. Mas confesso que queria ler mais, bem mais... 




MINHA HISTÓRIA COM MEUS LIVROS - CAPÍTULO 7 - LITERATURA ESTRANGEIRA 3




Na última prateleira de Literatura Estrangeira tem uns livros sobre Espiritismo infiltrados, pois é um assunto pelo qual também me interesso muito. 

Mas quero destacar esses três livros: o primeiro à esquerda é a bendita, A montanha mágica (do Thomas Mann), que nem me pareceu tão mágica assim e, por sinal, ainda está com o marcador na página 751, onde parei a leitura há uns 10 anos. 

A pergunta é: porque parei a leitura há 10 anos e não mais continuei? Simplesmente porque fui chegando à conclusão de que o livro que tem exatas 869 páginas poderia ser resumido senão pela metade, talvez um pouquinho mais de tão arrastada que se torna a leitura em determinados momentos, apesar de apresentar algumas discussões históricas e filosóficas interessantes entre os moradores do sanatório Berghof, nos Alpes Suíços onde se passa a história. 

O box do meio é de Literatura Policial, três livros da Agatha Christie, que aprecio bastante também. Eu a conheci por acaso lá em 1996, depois que saí com minha família do Rio Grande do Sul para morar na capital do Paraná, Curitiba. Próximo à casa para a qual nos mudamos, havia e ainda há uma biblioteca pública conhecida por Farol do Saber (que existe em vários bairros da cidade). 

Não tendo muito o que fazer na época, aproveitei para me associar na biblioteca e praticar umas leituras. E eis que remexendo daqui e dali nas prateleiras, achei um dos títulos (que não vou me lembrar agora) da autora britânica. Levei para casa e assim tive meu primeiro contato com ela e seu detetive belga/francês, Hercule Poirot. 

Atualmente já li quase toda a coleção de obras de Agatha e acabei por nutrir uma paixão secreta pelo homenzinho de bigode extravagante e por suas  células cinzentas, das quais ele tanto se gaba... 

O último da direita é O morro dos ventos uivantes, de uma das irmãs Bronte, a Emily. Durante meu primeiro ano de faculdade lá em 2002 tive uma colega com mais de cinquenta tons de goticismo em sua aparência e personalidade (a Maria Cecília), que vivia falando dessa obra. Ela sempre tinha um comentário a fazer sobre o Heathcliff, esse personagem fabuloso, misterioso e desconcertante,  o que foi aguçando cada vez mais minha curiosidade. 

Até que um dia sem poder resistir mais, fui para a biblioteca da faculdade e peguei de empréstimo o dito cujo. Então, aproveitei uma sexta-feira à noite e comecei a leitura que correu pela madrugada adentro e só foi terminar no sábado perto do meio-dia. Eu simplesmente não conseguia tirar os olhos daquelas páginas! Toda vez que eu decidia que seria o último capítulo a ser lido, a curiosidade falava mais alto e minha decisão ia por água abaixo. Lá estava eu passando para o próximo capítulo e depois o próximo e depois mais um e mais outro até que o livro chegou ao fim.

Ali eu entendi o porquê a Maria Cecília tinha sérias razões e motivos para ser tão fascinada pela obra de Emily Bronte e, principalmente, pelo seu personagem principal. Heathcliff realmente nos deixa extremamente perturbadas! Não só ele, mas também toda a mística em torno da história dele com Catherine Earnshaw. 

E, logicamente assim que soube das várias adaptações cinematográficas da obra, corri para assisti-las quase todas. Por que quase todas? Porque algumas são esdrúxulas e outras são bem mais fiéis ao livro, como a versão de 1992, com os maravilhosos Ralph Fiennes e Juliette Binoche no elenco. 



MINHA HISTÓRIA COM MEUS LIVROS - CAPÍTULO 6 - LITERATURA ESTRANGEIRA 2




Nesta prateleira encontram-se mais três livros interessantes, vamos dizer assim. O Fim de caso, do Graham Greene, que eu por acaso encontrei na biblioteca da faculdade num daqueles dias em que eu não ia para casa, pois  trabalhava na Biblioteca Pública do Paraná que fica perto de onde era a faculdade. Assim, se eu fosse para casa teria que voltar em menos de uma hora para o Centro, portanto, não valia a pena o deslocamento até o bairro Boqueirão naquela época.

Então eu ficava pelo Centro mesmo, almoçava, fazia alguma compra numa loja ou livraria ou sentava em alguma praça perto da Biblioteca para ler um pouco antes de trabalhar. Tendo encontrado este livro, devorei-o em poucos dias, além de descobrir que existe uma versão cinematográfica dele com Julianne Moore e Ralph Fiennes (sim, o Heathcliff de uma das versões d'O morro dos ventos uivantes e d'O jardineiro fiel). Logicamente, corri para assisti-lo.

Há também O código da Vinci, do Dan Brown. Este tem uma história curiosa, pois não costumava comprar livros contemporâneos, podemos dizer assim. Estava habituada a comprar os clássicos da Literatura, seja usados ou novos, pois afinal, eu fiz Letras e no curso de Letras a gente estuda mais os clássicos do que os livros da moda. 

Mas acontece que no ano de 2006 quando foi lançada a versão cinematográfica da obra, ela estava sendo tão comentada, falada e discutida ao redor do mundo devido às polêmicas com a Igreja católica que aquilo começou a me despertar uma curiosidade incontrolável e, assim, sem poder resistir mais, eu corri e comprei o livro para também tirar minhas conclusões. 

Já o terceiro livro, também um exemplar da moda e de conteúdo extremamente erótico,  Cinquenta tons de cinza, da E.L. James, comprei pelo mesmo motivo, ou seja, pela polêmica que gerou quando lançaram o filme em 2015. Curiosamente até hoje não li o livro para tirar minhas conclusões, apenas vi por acaso um trecho da película enquanto passava pelos canais da Net numa dessas madrugadas de insônia há um bom tempo atrás.

E, diga-se de passagem, as polêmicas têm sua razão de ser... Mas isso fica para ser debatido e discutido em outro post... 

 









MINHA HISTÓRIA COM MEUS LIVROS - CAPÍTULO 5 - LITERATURA ESTRANGEIRA 1





Aqui encontram-se os primeiros livros de Literatura Estrangeira, que fui adquirindo ao longo do caminho. Madame Bovary (que trata do tema adultério lá no século XIX) do Flaubert, foi o primeiro deles, assim que ouvi falar do livro e tomei conhecimento de seu enredo. Meu número! 

Me lembro que por algum motivo no primeiro ano de faculdade, a mesma Prof.ª Rosana, da disciplina de Literatura Brasileira citou o livro e obviamente fiquei curiosíssima para lê-lo! Eu não tinha dinheiro para comprá-lo novo. Mas eu sabia que podia ir a um sebo e trocar por algum livro meu. 

Então comentei o fato com meu colega M. e ele me levou ao primeiro sebo que conheci em Curitiba (o qual infelizmente fechou suas portas), na Travessa Jesuíno Marcondes, onde pude fazer a troca. Não sei se fiz besteira ou não, o fato é que troquei a peça Orfeu da Conceição, do Vinicius de Moraes por Madame Bovary.

Mas o caso é que Orfeu da Conceição tecnicamente não era meu. O livro era (ou não era) de uma ex-colega do meu 3º ano do Ensino Médio. Por quê? Porque no ano em que terminei o Ensino Médio, eu e alguns ex-colegas resolvemos fazer uma pequena festa de encerramento do ano em minha casa, porque afinal, todos iríamos finalmente para uma nova etapa da vida: a faculdade, tão sonhada por alguns e não desejada por outros. 

Então, tivemos a meiga ideia de fazer um amigo-secreto já para comemorar o Natal que se aproximava. Eu ganhei um bichinho de pelúcia (um coelhinho mais precisamente e que guardo até hoje) e uma determinada colega,  a V. foi presenteada pela pessoa que a tirou como amiga secreta, a F., justamente com esse livro do Vinicius.  

O fato é que na hora da revelação, quando V. abriu o presente e descobriu que era o livro, simplesmente teve um chilique inexplicável e fez uma cara de decepção, desfazendo do presente como se não tivesse gostado de recebê-lo, criando uma situação constrangedora não só para ambas,  mas para todos nós que presenciamos a cena patética e desnecessária. F., logicamente não sabia o que fazer e num ato meio que de desespero, ofereceu-se rapidamente para trocar o livro por qualquer outro título que V. escolhesse, mas esta pareceu totalmente desinteressada pela proposta. 

Resultado: ao término da pequena reunião, ao resolver ir para casa, V. decidindo que realmente não gostara do presente, o deixou de lado jogado em cima do meu sofá da sala. E F., sentindo-se naturalmente ultrajada também decidiu que não valia a pena trocar o livro para uma pessoa tão ingrata e tão deselegante na hora de receber um presente e, assim,  o livro acabou sobrando para mim. 

Até o momento não consegui decidir bem se sinto um pequeno resquício de culpa ou não, uma vez que a obra poética de Vinicius que me levou para os caminhos da Poesia. Mas ao mesmo tempo não tinha como não adquirir Flaubert!

Já o outro livro da foto, Sílvia (de Gerard de Nerval, um autor também francês), foi citado por Umberto Eco, nos seus Seis passeios pelos bosques da ficção como um exemplo de autor-modelo que procura criar uma simetria com um leitor-modelo, entre outros conceitos do teórico italiano. Obviamente que não podia deixar de conferir a obra para entender como se dá isso em seu enredo. 

Uma coisa sei que é certa: foi a partir daí que só aumentou meu interesse por Literatura Francesa. 



MINHA HISTÓRIA COM MEUS LIVROS - CAPÍTULO 4 - LITERATURA BRASILEIRA




Entre outros livros, nesta prateleira se destaca a coleção de Clarice Lispector, na qual se incluem as seguintes obras: A legião estrangeira; Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres; Perto do coração selvagem; A paixão segundo G.H; A maçã no escuro e o calhamaço Todos os contos. Esta coleção lançada pela Editora Rocco em 2016, se não me engano, foi-me presenteada por meu marido em meu aniversário, mas confesso que só li A hora da estrela (romance) para um trabalho de faculdade e Felicidade clandestina (contos),  quando cursava ainda o ensino médio.

Logo, não li nenhum dos outros ainda, pois Clarice é muito visceral, vai no âmago das coisas. Ler um livro dela é como levar um soco no estômago. Não estou preparada física e psicologicamente para travar essa luta e levar tantos socos em sequência. É preciso muita calma nessa hora. Muito treino e concentração para apanhar cada tentativa de, e cada golpe que ela desfere. Clarice pode nos levar a nocaute. Facilmente. 

Também destaco, Ópera dos mortos, do Autran Dourado, que fala de amor e destino, e Fogo morto, do José Lins do Rego, que trata da decadência dos engenhos de açúcar no Nordeste. Dois livros que li ainda no ensino médio e que me impressionaram bastante. O primeiro li por pura curiosidade, coisa de rato de biblioteca; o segundo porque foi citado e comentado nas aulas de Literatura da professora loira e de olhos azuis, muito bonita, da qual infelizmente esqueci o nome e eu fui atrás para ler. 

Há também nesta prateleira o meu amado e estimado Grande sertão: veredas, do grande Guimarães Rosa, livro pelo qual me apaixonei na pós-graduação em Teoria Literária e  que acabou se tornando um dos objetos de estudo do meu TCC juntamente com Aparição,  do autor-filósofo português, Vergílio Ferreira. 

Não posso esquecer também de dois dos primeiros livros que começaram esta prateleira lá em 1984, se não me falha a memória: Caminhando na chuva (sobre as aventuras de infância e adolescência do jovem Tulio no interior do Rio Grande do Sul), do autor gaúcho e meu conterrâneo, Charles Kiefer e O Quinze (que trata da questão da seca no Nordeste) da cearense Rachel de Queiroz (primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras em 1977).

Tais livros pertenciam ao meu querido e, infelizmente, falecido irmão, que diferente de mim, preferiu se embrenhar nos caminhos da matemática e da engenharia. 

MINHA HISTÓRIA COM MEUS LIVROS - CAPÍTULO 3 - TEORIA LITERÁRIA


 


Entre tantos outros, nesta prateleira guardo livros muito especiais para mim, os quais fui adquirindo ou ganhando de presente antes, durante e depois da minhas graduação e pós-graduação. 

O livro de Umberto Eco, por exemplo, Seis passeios pelos bosques da ficção, foi citado pela minha saudosa e muito phoda, Profª. Rosana durante minhas primeiras aulas de Literatura Brasileira na faculdade. Curiosa que sou, fui correndo comprá-lo, assim como a maioria dos livros que eram citados pelas professoras durante as aulas, pois elas diziam que todas as fontes precisavam ser consultadas e que precisávamos buscar sempre mais e mais referências... É um livro maravilhoso, pois elucida muita coisa sobre a arte de ler ficção.

Já o livro do meio, Roteiro de Deus: dois estudos sobre Guimarães Rosa (de Heloísa Vilhena de Araújo), foi-me presenteado por um colega muito especial de faculdade (excelente companhia para se falar de Literatura nos bares da cidade e que até hoje não terminou o curso!), quando ele soube do tema do meu TCC, o qual versaria também sobre Grande sertão: veredas ao final de minha pós-graduação lá em 2005.  Muito gentil da parte dele. 

O livro da direita, Roteiro de cinema e televisão (de Flavio de Campos), também foi-me presenteado, só que por um ex-colega de trabalho quando trabalhei como revisora de textos em uma editora lá em 2005 também. Naquela época comecei a me interessar também pelos mistérios por trás da confecção de um roteiro de filme. 

Por fim, o livro mais grosso de capa azul, chama-se O mundo maravilhoso do soneto (de Vasco de Castro Lima), que eu conheci na biblioteca da casa do meu marido (que não era ainda marido) quando fui encontrá-lo no Rio de Janeiro, depois de trocarmos milhões de mensagens, poemas e letras de música nos falecidos Orkut e MSN lá em 2011/2012, anos depois do término da faculdade. E, assim, quando ele me mostrou o livro, fiquei doidinha por ele, pois escrevo e adoro sonetos, porém o livro era da irmã dele... Resultado: acabei ganhando o livro de presente. 

Adorei os presentes, pois livros são presentes sempre bem-vindos, ainda mais para quem estava (e está ainda, até o fim da vida) montando uma biblioteca como eu... 


 
 

MINHA HISTÓRIA COM MEUS LIVROS - CAPÍTULO 2 - PRIMEIROS LIVROS DA FACUL


 



Édipo-Rei, do grego Sófocles, cuja história do filho que desposa a mãe e que virou novela na Globo em 1989 é bastante conhecida e esse pequeno Dicionário de Latim foram os primeiros livros que comprei assim que adentrei as portas da faculdade de Letras lá em 2002. Lembro-me de que foi uma sensação maravilhosa tê-los comprado, pois além de estar abastecendo minha biblioteca com livros comprados por mim, eles representavam uma nova etapa da minha vida depois de um primeiro amor malsucedido, tenebroso e fracassado. Mas essa é uma outra história... 
 
Lembro também de tê-los comprado numa livraria física bem tradicional, que não mais existe em Curitiba. Aliás, um bom tanto de livrarias  vêm fechando suas portas de uns tempos pra cá, o que é uma pena, pois não tem nada melhor na vida do que sentir aquele cheirinho de livros novos ou até mesmo aquele cheirinho de mofo e poeira dos livros usados. O fato é que qualquer que seja o cheiro do livro, ele é um bálsamo para as nossas narinas treinadas de leitores experimentados ou nem tanto.

Mas essa coisa de leitores experimentados também já é um outro assunto, que remete ao grande Umberto Eco... o primeiro teórico que tive o prazer de estudar na faculdade. 

MINHA HISTÓRIA DOS MEUS LIVROS - CAPÍTULO 1 - PRIMEIROS LIVROS... COMO MINHA BIBLIOTECA COMEÇOU


Minha Biblioteca Achilles & Bertazzo começou a se desenhar de verdade lá em 2002, quando entrei na faculdade de Letras, embora eu já tivesse alguns livros herdados dos meus irmãos mais velhos (tipo esses aí da foto, sendo os mais antigos o menorzinho de capa verde, um Minidicionário de Português/Inglês/Português, que eu usei na 8ª série e o Caminhando na chuva, do gaúcho Charles Kiefer, que um dos meus irmãos usou no Ensino Médio dele); da Biblioteca do Exército do meu pai; livros abandonados nas casas que alugávamos; livros recebidos de presente, etc.  

Lucíola, do José de Alencar (que trata da transformação de uma mulher, uma cortesã que se regenera e se purifica ao descobrir o amor) herdei da minha irmã (que nunca gostou de ler romances) quando fiz seu trabalho de Literatura do ensino médio em 1997, eu creio. 

O bom ladrão, do Fernando Sabino, creio que veio parar nas minhas mãos por intermédio de um ex-namorado, nesta mesma época, não lembro ao certo. Talvez, o livro fosse dele e ele me deu ou eu peguei em sua casa e levei para a minha e acabou ficando, uma vez que ele, como minha irmã, nunca foi fã de leitura.  

Mas com essa coisa de diversas mudanças de endereço ao longo da vida, empréstimos mal sucedidos para amigos ou nem tão amigos assim (né?) que "esqueciam" de devolvê-los, furtos descarados, doações forçadas pela minha mãe (que não simpatizava muito com livros) para bibliotecas públicas, entre outros motivos, restaram-me apenas esses quatro.

E foi com esses quatro sobreviventes e com a entrada na faculdade que eu resolvi ampliar o meu acervo, já que dali para frente teria que comprar ou xerocar livros quase que diariamente para meus estudos, o que só intensificou cada vez mais o desejo e a compulsão por adquirir cada vez mais livros. 

Minha falecida e adorada mãe, claro, não apreciou muito a ideia na época. Porém, dessa vez tudo foi diferente: bati o pé e disse CHEGA! Agora estou comprando os livros com o meu dinheiro (pois havia começado a trabalhar como professora de reforço escolar e depois como auxiliar de biblioteca na Biblioteca Pública do Paraná - BPP) e não doo,  não dou e não vendo! Trocar já é outra história. Nunca mais se falou nisso e eu pude enfim,  começar a montar minha biblioteca em paz.