Segundo C.S. Lewis em seu livro Como cultivar uma vida de leitura, para saber se você é um leitor-raiz ou um leitor-nutella é necessário que você apresente as características abaixo, as quais qualificam um verdadeiro apreciador da boa Literatura. Caso não, sinto informar-lhe que você não passa de um leitor-nutella, mas pode estar no caminho para reverter este quadro.
1. ADORA RELER LIVROS
[...] A marca incontestável de um não literato é que ele toma “já li isso” como sendo um argumento conclusivo para não ler uma obra. [...] Por outro lado, aqueles que leem grandes obras as lerão dez, vinte, trinta vezes no decorrer de suas vidas.
2. VALORIZA MUITO A LEITURA COMO UMA ATIVIDADE (E NÃO COMO ÚLTIMO RECURSO)
Em segundo lugar, a maioria, ainda que muitas vezes seja leitora frequente, não dá muita importância à leitura. Dedica-se a ela como último recurso. Abandona-a com entusiasmo tão logo surge qualquer passatempo alternativo. A leitura é reservada para viagens de trem, quando se está doente, momentos estranhos de solidão forçada ou para o processo chamado “ler para dormir”. Por vezes, essa maioria combina a leitura com conversas aleatórias e, com frequência, com ouvir o rádio. Literatos, por sua vez, estão sempre procurando tempo livre e silêncio para ler, e com toda atenção. Se lhes é negada tal leitura atenta e sem perturbação, mesmo que por alguns poucos dias, eles se sentem empobrecidos.
3. LISTA A LEITURA DE LIVROS ESPECÍFICOS COMO UMA EXPERIÊNCIA TRANSFORMADORA DE VIDA
Em terceiro lugar, a primeira leitura de uma obra literária geralmente é, para os literatos, uma experiência tão marcante que apenas vivências como o amor, a religião ou o luto podem servir de comparação. Toda a consciência deles é mudada. Eles já não são mais os mesmos. Entretanto, não há nenhum indício de qualquer coisa parecida entre o outro tipo de leitores. Quando terminam um conto ou um romance, pouca coisa, ou absolutamente nada, parece ter ocorrido a eles.
4. REFLETE E RECORDA CONTINUAMENTE O QUE LEU
Por fim, e como resultado natural de seu diferente comportamento quanto à leitura, o que eles leram está constante e preeminentemente presente na mente dos poucos, mas não dos muitos. Aqueles sussurram na solidão seus versos e estrofes favoritos. Cenas e personagens de livros fornecem-lhes uma espécie de iconografia pela qual eles interpretam ou sumarizam sua própria experiência. Falam uns com os outros com frequência e em profundidade a respeito de livros. Os muitos raramente pensam ou falam a respeito de suas leituras. [...]
Excerto retirado de:
LEWIS, S.C. Como cultivar uma vida de leitura. Trad. Elissami Bauleo. 1 ed. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2020.
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